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Editoriais


A Chegança do Saneamento

Por Vitor Bertini, em 18 de junho de 2020.

Alvíssaras meu comandante
Alvíssaras meu general
Eis que vejo terras de Espanha
Areias de Portugal
O verso da Chegança - folguedo natalino encenado no nordeste brasileiro, fala das boas notícias gritadas por um gajeiro do alto do mastro do barco montado para a festa.

Assim, como marinheiros empoleirados em imaginários mastros, o setor do saneamento básico brasileiro viu as manchetes de alguns dos principais jornais de circulação nacional estamparem, em 17 de junho, esperanças de renovadas e vultosas atividades econômicas a partir da aprovação do PL 4162, seu projetado novo Marco Regulatório. Sem dúvida, alvíssaras meu comandante! Alvíssaras, meu general! Notícias de negócios, terras saneadas e dignidade para nossa gente.

Entretanto, talvez, na linguagem do verso, as terras ainda não sejam de Espanha nem as areias de Portugal: a ANA (Agência Nacional de Águas) não tem a vocação nem está capacitada para, por enquanto, regular o negócio do saneamento; comissão interministerial não é o que se possa chamar de perseguição à modernidade ou caminho para a competição; datas e metas estabelecidas em lei mais servem para desmoralizar o texto e abrir espaço para novas legislações do que de real incentivo às suas consecuções; e as circunstâncias dos contratos existentes, suas adequações e renovações não parecem à prova de judicialização.

Mas, é inegável que as velas estão estufadas e existe terra à vista. Que a tradicional tripulação de prefeitos - poder concedente, e estatais, velhos marujos, estejam firmes e à bordo. A viagem é longa, os ventos são novos e fortes, mas a chegança do saneamento precisa de todos nós.



A Medida do Discurso

Por Vitor Bertini, em 16 de abril de 2020.


“O que o povo quer, esta Casa acaba querendo”. Esta frase, dita pelo ex-deputado federal Ibsen Pinheiro - então presidente da Câmara dos Deputados, no dia da cassação do ex-presidente Fernando Collor, em 1992, deveria ser o norte a ser perseguido pelo setor do saneamento no Brasil.

A pandemia que sacode o mundo parece gritar a importância do saneamento básico como vetor de saúde pública e, no caso brasileiro, a urgência de sua universalização. Entretanto, ainda que esta seja a maior convergência de opiniões recolhidas nestas duas semanas de existência da página h2o.eco – superando todas as tradicionais divergências intra-setoriais, as nuvens no horizonte parecem não ser tão claras.

No dia da edição desta Newsletter, 16 de abril de 2020, as matérias dos principais jornais nacionais dão conta de ajudas a setores considerados prioritários pelo BNDES: nenhuma linha, ou recurso, ao saneamento. A sobriedade unânime da sempre mencionada importância do saneamento parece, mais uma vez, esconder na simpatia destinada às causas socialmente bonitas, a dura decisão do esquecimento. A importância real de discursos tem uma medida prática: recursos.

Simples na intuição, complexo na realidade, o equacionamento do saneamento básico no Brasil traz consigo o enfrentamento de questões tão importantes e próximas à nossa sociedade quanto habitação, ocupação do solo, planejamento urbano e resíduos sólidos. Nosso próximo passo deveria ser, ativamente, procurar a sociedade – quando ela quer, a Casa acaba querendo.



A Pandemia Mudou Tudo

Por Vitor Bertini, em 30 de março de 2020.


A página h2o.eco nasce como um veículo de notícias e opiniões sobre o saneamento básico no Brasil.

O portal h2o.eco nasce com os pressupostos editoriais do compromisso com a universalização dos serviços de saneamento, da independência com relação a modelos ideológicos ou econômicos e do entendimento da convergência sócio-econômica entre saneamento, saúde e meio ambiente.

Quis a fatalidade que nossa primeira edição, programada para tratar do Projeto de Lei 4.162, tivesse sua data e conteúdo alterados pela irrupção da pandemia COVID-19. Assim, pautados pela relevância dos fatos, nossa primeira matéria é sobre a nota conjunta da AESBE-ABCON – alvíssaras a sinalizar novos tempos, tratando dos enfrentamentos e desafios decorrentes da crise Coronavríus. Outras matérias e entrevistas sobre esta crise mundial e suas relações com o mundo do saneamento seguirão sendo pautadas.

Na opinião desta página, enquanto a pandemia assusta e transforma o mundo, enquanto governos e sociedades se mobilizam para a gigantesca tarefa de entender e enfrentar o novo vírus, cresce como subtexto do que hoje é debatido a dramática necessidade do Brasil encaminhar soluções definitivas no saneamento básico.

Neste sentido, agora com o zelo e os cuidados que o momento cobra de todos, depois, com os ensinamentos e lições desta crise, estaremos aqui, na expectativa que a sociedade brasileira e suas diversas esferas de governo façam do saneamento uma de suas prioridades.

Bem-vindos!